BEM VINDO!

Este é um espaço criado para que possamos trocar informações sobre:

- Psicanálise;
- Comportamento Humano;
- Patologias Psicoemocionais;
- Sentimentos: que constroem e que destroem;
- Relacionamentos;
enfim, toda abordagem que puder levar informação sobre melhor qualidade de vida
emcional.

Os textos não têm a pretenção de orientar, mas sim de poder oferecer uma alternativa de interpretação.
Sinta-se a vontade para opinar, contestar e discutir. Aqui, o que você pensa, será bem vindo!

Abraço,

Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Manipulação Comportamental

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O tema deve ser mais frequente na vida das pessoas do que eu supunha, a deduzir pelas visitas e os comentários deixados no texto anteriormente postado (anos atrás).

É curioso pensar que a manipulação emocional está presente em nossas vidas e no nosso convívio diário muito mais do que presumimos, sem de nenhuma forma nos darmos conta.

Somos seres naturalmente sedutores, ou seja, mesmo sem intenção direta, investimos atenção, afeto, escolha de palavras, visando incitar uma reação direcionada no outro, isso acontece muitas vezes inconscientemente, sem razão definida aparente.

Agora imaginemos quando imprimimos intenção determinada à estas atitudes de comportamento? Quando este artifício é usado intencionalmente com certa frequência, visando interesses próprios, chamamos de personalidade manipuladora.

Muitas vezes a necessidade de conduzir o comportamento do outro e fazer valer o seu próprio desejo é desconhecida, ou mascarada pelo próprio manipulador. Normalmente escondida ou sustentada por uma estranha pretensão de acreditar que invariavelmente está mais apto a fazer escolhas não só para si, mas para o outro também.

Existem algumas razões que explicam, em alguns casos, a personalidade manipuladora:

  • baixa resistência a frustração, em outras palavras, o sujeito que lida mal com a contrariedade, com o “não”. Logo, ele busca conduzir para que tudo saia a seu contento;
  • egocentrismo: visa com frequência seus próprios interesses, mesmo que seja em detrimento aos interesses do outro, normalmente sob ações conscientes;
  • pais exageradamente protecionistas: buscam conduzir/ induzir as escolhas dos filhos, com a pretensa ideia de protegê-los;
  • carência afetiva: existem os carentes natos, ou seja, não há o que os faça sentir supridos. Então, estabelecem relação de dependência emocional juntos aos seus afetos, buscando a sensibilização, chantagem emocional velada, qualquer coisa que os mantenham vinculados.

É importante ressaltar, que nem todo comportamento direcionado está vinculado ao desejo de manipulação, mesmo porque se existem os manipuladores, também existem os propensos a manipulação. Se autorizar a ser conduzido por outra pessoas traz benefícios secundários, isenta o sujeito de escolha e consequentemente responsabilidade.

Se porventura, você identificou algum comportamento parecido no cenário da sua vida, a primeira a coisa a ser feita é não reivindicar o que passou, não ocupe tempo e eneregia psíquica com isso, busque inibir a reincidência; estabeleça uma âncora para sua auto confiança e siga em frente. Não estamos rodeados por candidatos a psicopatas todo tempo. Ok? Sem neurotizar…

Contudo, já sofremos invariavelmente pequenas manipulações todos os dias, pela mídia, pelo governo, por nossos chefes ou subordinados, enfim, contidas na proporção do dia a dia. O objetivo afinal, é minimizar as maiores e que trazem consequências a curto ou longo prazo, e para isso, precisamos interpretar nossas escolhas, sem comodismo de pensamento, nos assegurarmos se são nossas de fato.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

O Nosso Despreparo para a Terceira Idade


É muito comum chegar ao consultório conflitos familiares advindos do envelhecimento dos seus membros.

Envelhecer implica em uma série de consequências que não são contempladas no decorrer de uma vida inteira. E quando chega essa fase, parece que ela aconteceu de ontem pra hoje.


As mudanças resvalam em todos dos setores:
  • financeiro: aumentam os gastos e diminui a renda. Logo, a família é obrigada a  assumir os encargos extras, como plano de saúde ou complementar a renda do idoso de forma geral. Tanto o idoso, como a própria família deve se preparar para essa realidade.
  • emocional: os filhos estão adultos e consequentemente ávidos para seguirem com suas vidas e suas escolhas. Quando são obrigados a cumprirem o papel de ocupação ou entretenimento do idoso, algumas vezes é sacrificante e tende a frustrar sempre uma das partes;
  • físico: havemos de cuidar do corpo e oferecer manutenção ao organismo, antevendo que ele deve nos servir por muito tempo, para que possamos gozar de autonomia e qualidade de vida no futuro. Sem dependências que poderiam ser evitadas;

Imagino que as colocações acima deva levar a contrariedades interpretativas, porque é comum as pessoas associarem à incompreensão e ingratidão. São recorrentes pensamentos como: os filhos “devem” aos pais; a lei natural é que os mais novos cuidem dos mais velhos; não amparar os idosos é ingratidão e egoísmo. Enfim, eu concordo com tudo isso.

No entanto, existem algumas reparações conceituais muito importantes a serem feitas:
  • Filho não é plano de previdência. Uma pessoa não deve vir ao mundo já como devedor de seus pais. Por isso, gerar um filho é o ato mais altruísta e desapegado que um indivíduo pode praticar; é investir seu amor e seu propósito em criar um ser humano de bem, e certamente contaremos com o retorno disso, mas as garantias não existem. Ele não será o seu passa tempo na velhice, nem tão quanto seus netos. Eles serão visitas amorosas na sua vida, quererão sua companhia por vontade própria e não por obrigação, buscarão o seu convívio porque é resultado de uma criação de liberdade de escolha e independência, mas não porque foram postos num cativeiro emocional. Muitas vezes os filhos são levados a duvidar da sua própria competência em suas escolhas, porque a manutenção da insegurança é a garantia da dependência.
  • A família deve ser a representação de um porto seguro para seus integrantes, mas jamais um calabouço que aprisiona e oprime, que veta a independência porque a liberdade pode sugerir exclusão ou abandono.
  • A competência dos pais se mede pela independência dos filhos. O amor que liberta ao invés de escravizar é aquele que vê com brandura e alegria as escolhas dos seus herdeiros. Respeito e confiança deveria ser o lema a ser registrado no brasão de todas as famílias.
  • Confiar que muitas vezes os acertos são construídos a partir dos erros, e que errar é garantido como direito humano, deveria ser básico a qualquer criação. Um filho não é ferramenta egóica que deve servir como alimento de orgulho  e vaidade. É um ser humano com vida própria.
  • O amor, a paciência e o desejo do convívio são sentimentos plantados desde sempre que renderão em reciprocidade no futuro, ou não. Vai depender de cada um.

O mais importante, e o que eu repito pelo menos uma vez por dia é: que ninguém deve nada a ninguém. E isso está certo e é assim mesmo que deve ser. Se o que te nutri é o sentimento de dever, então algo deu errado e deve ser revisto.

A escolha de ser mãe ou pai, deve também contemplar o desejo de realização pessoal de cada um, ou seja, ninguém está fazendo um “favor” gerando ou criando um filho, deve haver o reconhecimento da sua satisfação pessoal com isso, do contrário, não faça, porque corre o risco de gerar um passivo desleal com o seu filho.



Há muita beleza em envelhecer, mas isso fica melhor de ser constatado quando nos preparamos para isso, preferencialmente antes de acontecer. Há mais amadurecimento, menos sofrimento com incertezas ingratas, há menos preocupação e mais opção. Mas tudo isso dependerá de como se chegará até lá...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

BANDIDOS explodiram caixas eletrônicos de um Hospital


Estou tentando desenvolver a habilidade de falar de coisas tristes e trágicas, sem falar de tristeza e tragédia... lhe pareceu impossível? A mim também.

Ontem meu marido chegou contando uma notícia que ele recebeu via facebook. Como eu ignoro essa ferramenta e insisto em não usá-la, fico  "mabe out", das notícias. O fato era que haviam invadido e explodido caixas eletrônicos de um Hospital (mais assistencial, que privado) que conhecemos bem e o temos pessoalmente como um "templo sagrado". Fiquei pensando: "nossa, como assim!? Um hospital, com pessoas convalescendo, com equipes trabalhando e lutando para salvar vidas, com famílias aflitas acompanhando notícias de seus entes e amigos, que susto horrível ..." 

Passada a minha indignação e revolta, tendo a notícia de que ninguém se feriu, os amigos que deixamos lá passam bem, fui tentando elaborar pra tentar entender  as atitudes tão adversas que movem o ser humano.

Hoje quando eu estava estudando, Neuropsicologia, que de tão complexo só consigo me concentrar de verdade escutando música, de preferência em idiomas que eu não compreendo, porque me livra de influências externas e me desobriga a compreensão, sobrando bastante neurônios para os estudos; enfim, entrou por equívoco no mix da seleção de músicas: "USA For Africa", de tão antiga me deu vontade de ouvir prestando atenção e assistindo ao vídeo. 

Era bem isso que eu precisava, porque o registro que eu tinha dessa música era de um aglomerado de Egos brigando por um microfone, buscando sua melhor performance para ser marcante no movimento. E eu não vi nada disso, pelo contrário.

Eu vi verdadeiras estrelas, algumas já póstumas, atuando como coadjuvantes para um bem maior, no melhor do potencial da sua habilidade abrindo espaço para o outro cantar, porque o importante era que o todo, a canção, ficasse perfeita, em nome de todas as crianças que viviam na precariedade humana.

E aí eu comecei a lembrar do meu amigo médico, cardiologista, que não recebe há um tempão, porque o governo... (deixa pra lá essa parte), continua atendendo seus pacientes, independente do seu salário atrasado; lembrei de rifas feitas entre funcionários para melhorar as condições de atendimento dos seus pequenos pacientes; lembrei de um velho vicentino de mais de 80 anos que durante toda sua vida não mediu esforços para ajudar alguém, sem importar a quem; de uma psicóloga que virou a melhor amiga de uma estranha só porque ela precisava e se colocou disponível de um jeito poucas vezes visto; e de mais um monte de exemplos de solidariedade, de amor ao próximo, de vontade de fazer a diferença pelo bem e jamais pelo mal. Fui lembrando que a gente tem que rezar (pois é, eu sou uma analista que acredita no poder da oração, sim! E quer saber? Tenho dúvidas, se o Freud era ateu mesmo ou só O ignorava por convicção "intelectual"). Acho que acabei que cavar minha cova, mas não dá nada não...

Reza, oração, bons pensamentos, boa vontade, amor ao próximo não tem nada a ver com religião. Eu mesma nem sei qual é a minha... ou se eu tenho uma de verdade, mas eu não tenho dúvidas de que o "Amigão" está em algum lugar, regendo, intercedendo e guiando as pessoas de boa fé e bom coração. Você pode chamar de Deus, Divindade, Energia Universal, Pai, não importa. Eu, como sou "chegada", chamo de "Amigão", "Patrão", "Chefe" (rsrsrsrs) ... e eu acho ou me iludo, sei lá, de que sou ouvida, sempre. Acho que isso é a tal fé, acreditar sem pedir o CPF de Deus.

Pensar que tem alguns: nós cegos, sem noção, sem família, sem discernimento, sem sustentação familiar, sem valentia para o trabalho e o ganha pão honesto, sem honra e ombridade para dignar-se a se intitular "Homem", covardes sociais e emocionais, que se marginalizam por opção e conseguem legitimar suas consciências através de algum subterfúgio incompreensível até pra si mesmo, estes sempre existirão e seguem existindo desde que mundo é mundo. Não dá pra se escandalizar e demover a fé no ser humano, baseado nessa escória, que é o subproduto do que deu errado no princípio de civilidade.

Vamos seguir, acreditando que as exceções não devem se sobrepor aos exemplos de boa vontade e desejo de dias melhores que haverão de vir.

Aos nossos amigos desse Hospital, a nossa solidariedade e nossa solicitude. Aos marginais que fizeram essa atrocidade: o nosso pedido de complacência e perdão junto ao "Amigão", E se possível, quem sabe, prisão, porque afinal a lei dos homens existe não é?

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

SAUDADE


Eu queria muito conseguir escrever sobre a saudade, mas me mantendo dentro do ponto de vista analítico e não filosófico. Vou tentar, sem garantias de conseguir.

Eu notei que o sentimento da falta que promove a saudade, pode vir acompanhado de um punhado de outros sentimentos: como a culpa de ter contribuído para a saudade, e aí ela parece doer mais; como o sentimento de injustiça e nesse caso a saudade ganha a companhia do vitimismo; o abandono que traz a saudade misturada com a raiva; e assim vai...; alguns eu vi com maior frequência, outros mais camuflados.

A saudade pode ser medida em tempo, e quando é mensurada assim, vai ter dia que vai parecer maior, terá dia que nem tanto; medida por momentos vividos, e aí vem a nostalgia do que não volta; e também pode ser alimentada por projeções do reencontro, de possibilidades, de transformar a saudade em puro bem querer de novo.

Em todos os casos que eu vi e vivi, a forma como se relacionar com ela, a saudade, é sempre uma opção, que pode ser grata ou ingrata, e é você quem vai escolher; que mesmo sendo infindável pode ocupar um lugarzinho de aconchego dentro das emoções ou se transformar num punhal serrado e fixado que volta e meia vai girar e fazer sangrar...

Put´s! Pra quem queria fugir da abordagem Filosófica (que não é minha competência), acho que caí na abordagem piegas, brega e nada analítica... acho que fui muito ambiciosa...

Mais é que eu não quero mais falar só de doença, psicopatologia, blah, blah, blah...

Eu trato sentimentos, eu lido com emoções o tempo todo, por que não posso falar sobre elas de vez em quando? Acho que foi isso...

TOC Transtorno Obsessivo Compulsivo

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Uma pessoa muito especial, expressou algumas dúvidas sobre TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e eu resolvi escrever um pouco sobre isso. Acho que não há nada que eu já tenha escrito ou se há deve fazer tempo, já tem muita literatura sobre o assunto, mas às vezes o jeito que alguém escreve ou o momento que você lê, muda ou contribui para um entendimento diferente. Então vale a pena tentar...

Vamos começar pela definição:
- Transtorno: algo que não pode ser mais tratado como característica de comportamento, porque está trazendo certo prejuízo ou sofrimento;
- Obsessivo: não opcional, pensamento invasores, comportamentos involuntários não controláveis;
- Compulsivo: que se repete ou precisa se repetir, novamente inerente á vontade do sujeito.

Pois bem, juntando isso tudo significa que a pessoa que desenvolveu o TOC, possui uma mania ou um conjunto delas, que se sobrepõe a sua vontade e ela não tem mais controle sobre isso. O que leva à consequências e sofrimento. Toda psicopatologia é medida entre leve, moderada e grave, eu estou definindo a que está entre moderada e grave.

A mania vem da ordem da neurose, ou seja, todos nós temos, todos possuem "determinadas manias", porque isso define inclusive características da personalidade do sujeito. No entanto, estas manias não podem se sobrepor a sua própria vontade, ou seja, ela não pode por a pessoa num cativeiro de obediência quase ritualística. 

Normalmente o TOC nasce como um mecanismo de defesa, e isso dificulta que o inconsciente se dê conta quando está virando patológico.

Agora vamos falar um pouco de estatística para termos uma ideia populacional do TOC, porque quem sofre deste transtorno tende a acreditar que faz parte de um universo muito particular, por isso costuma se envergonhar e não compartilhar muito seus sintomas, justamente por se sentir muito ímpar em sua condição. Os números são:

- população mundial: de 1% à 2% no decorrer da vida já desenvolveu ou convive com o TOC;
- especificamente nos EUA: 1 para cada 50 habitantes, sofre de TOC (entre moderado ou grave).

Existe um escalonamento dos TOC´s mais comuns:

1º Limpeza, doença por contaminação e também organização metódica;
2º Dúvida, necessidade de verificação em sequência ou recontagem;
3º Pensamentos libidinosos, obscenos sem controle (e a ansiedade é aumentada pela auto-condenação). Este tem mais a ver com a Síndrome de Tourette, que lá frente eu explico melhor);
4º Meticulosidade com tudo, simetria, ordenação, etc;
5º Colecionismo (hábito de acumular coisas, normalmente que não obedecem a nenhum gênero, tido como: acumuladores).

Alguns famosos: 
- Charles Darwin: colecionismo;
- Michael Jackson: limpeza/ contaminação;
- David Beckham: limpeza e perfeccionismo;
- Jô Soares : os quadros precisam estar levemente fora do ângulo para a direita.

Se sentiram um pouco melhores? Pois é. Tem cura, tem tratamento e até medicação específica para tratar os sintomas. No entanto, o ideal de cura é mesmo com terapia descobrir porque tal mecanismo de defesa se formou?

É comum os sintomas aparecem ainda na infância e irem evoluindo de forma quase inofensiva, ou estar associado a algum evento estressante importante e acaba crescendo de forma abrupta.

Existem cientistas que defendem que assim como na Síndrome de Tourette, o TOC também contém fatores biológicos para acontecer, como alguma deficiência cromossômica, ou epilepsia no lobo temporal, enfim, ainda não se evoluiu muito nestas conjecturas.

O TOC em seu estado grave pode trazer consequências (manifestações) físicas:
- Dermatite: doenças na pele, manchas, coceiras ou vermelhidão;
- Alopecia: queda de cabelo ou doenças relacionadas;
- Onicopatia: doenças nas unhas;
- Gengivite.

Estas são as mais comuns.

Síndrome de La Tourette, que nada tem a ver com TOC, e por isso mesmo é preciso saber o que é, para não permitir que confundam o diagnóstico. São tiques múltiplos, motores ou vocais (classificado como Distúrbio Neuropsiquiátrico). 
- 80%: piscar os olhos incessantemente, tossir sem causa física, limpar a garganta;
- 20%: coprolalia = pronunciar palavras desconexas involuntariamente no meio de um diálogo que não condiz; copro praxia = palavrões, insultos e também repetição de sons e palavras. 

Infelizmente, na maioria dos casos a Síndrome de Tourette não tem cura, o tratamento é feito a base de antipsicótico e terapia de reversão de hábito. Como há um comprometimento neurológico, então fica mais difícil pensar em cura.

Percebem a grande diferença entre TOC e Tourette?

O TOC tem tratamento, tem cura, e na maioria das vezes a terapia resolve, mas já de cara vou dizendo, que num dado momento, o enfrentamento ao sintoma será necessário, ou seja, desafiar a necessidade que propaga seu TOC será imprescindível para a sua cura.

Ok? Espero ter ajudado só um pouquinho...


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

LUTO AGAIN (não por culpa minha)



Veja bem, não é minha responsabilidade ficar nessa pegada só do luto, luto, mas as pessoas me escrevem fazendo perguntas interessantes para debater, e aí não consigo sair do tema. 

Um "anônimo" me perguntou por e-mail: há algo que eu, como iniciativa própria, possa fazer para minimizar meu sofrimento de luto e perda?

Pensei muito nessa pergunta sob o ponto de vista analítico, e acho que há por onde começar. Já te ocorreu assumir a sua participação na dor da perda?

Não estou falando de culpa, nada disso. Não se trata de culpa, trata-se da responsabilidade implícita quando a gente escolhe amar alguém.

O que eu quero dizer é que não há como ficar só com a parte boa, nem mesmo do amor. Se escolhemos ter um filho, um marido, uma família, viver uma história de amor seja com quem ou com o quê for, está implícito nisso o risco da perda, da decepção, do abandono, de tudo de negativo tanto quanto de positivo.

A questão é: fazer diferente disso, seria como? Uma blindagem emocional, viver relações superficiais para evitar nos machucar ou a dor de uma possível perda?

Será que vale a pena? Não seria a minha opção viver pela metade, se acovardar em prol de um não pseudo sofrimento.

Então, pra resumir esse ponto de vista, que aliás reconheço ser muito pobre mediante uma pergunta tão complexa e importante, eu diria que tudo que eu amo, eu posso perder e eu preciso estar ciente disso desde quando fiz a opção de amar...

Se construir essa percepção adianta alguma coisa? Se diminui a dor da perda? Provavelmente não. Só pode, talvez, lhe trazer uma possibilidade de elaboração a ser trabalhada.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

LUTO PELA ÓTICA DE UM ENLUTADO II


Num outro blog eu escrevi vários textos sobre Luto e alguns eu resolvi transferír pra cá, então corre o risco de haver alguma redundância nas falas, me desculpem por isso.

Quando você abre os olhos pela manhã, e não vem vontade nenhuma de sair da cama porque fora dela não há nada que lhe entusiasme o suficiente naquele momento, e ficar ali te protege de uma realidade cruel que exige energia para ser enfrentada todos os dias, isso pode ser muita coisa, inclusive o princípio do luto. Que é um sofrimento tão legítimo que ninguém vai exigir muito de você, porque afinal a apatia faz parte dele.

O luto é aprender a viver sem, reinventar uma rotina que aquela pessoa amada não faz mais parte, é reconfigurar suas emoções, ritualizando seus rompantes de saudade para ficarem administráveis aos poucos.

Há uma parte do luto que é evitável e outra não. A parte evitável é quando fazemos a opção de parar de alimentá-lo, ou seja, se ainda não é hora de rever fotos, de se agarrar a pertences guardados, a buscar o cheirinho na última roupa usada, não faça. Haverá um dia, um momento que isso poderá ser feito e terá uma repercussão diferente. O Freud falava muito em significado e significância. Com o tempo o significado de hoje ganhará outra significância. Insistir agora, não ameniza a saudade ou o sofrimento, só fomenta.

A parte que é inevitável é quando um pensamento invasivo te pega de surpresa, uma lembrança, um evento que inevitavelmente te remete a sua perda irreversível. Quando uma cena, uma música ou cheiro simplesmente aparece e aí vem imediatamente o sentimento de perda: eu nunca mais terei isso… ou então, quando você evita as lembranças, e se ocupa o tempo todo ou o quanto for possível, num ritmo quase frenético, até que transborda e você é remetido involuntariamente ao sentimento brutal de saudade e perda. Aí não há o que fazer: é se entregar, esperar passar e buscar o equilíbrio novamente.

É preciso pôr a casa em ordem, coisas que só o enlutado pode fazer: gavetas acumuladas, tudo que te remete a sua perda, espalhado pelos cantos, bem como estão os sentimentos por dentro.

Tem uma outra coisa que eu descobri: o enlutado vira uma figura constrangedora pro outro. Então, vou tentar ajudar com isso:

  • se você encontrar com um enlutado, que não teve ainda a oportunidade de encontrar, não se sinta obrigado a dizer nada. Não diga: sinto pela sua perda; meus pêsames, esses dizeres prontos que são para serem ditos na semana da perda ou no máximo na semana seguinte. Um mês depois, não. Ok?;
  • se encontrar no elevador: não precisa ficar aquele silêncio de cortar com faca. Fala da falta de chuva, fala mal do governo, fala do preço do pão francês, enfim, qualquer coisa que conversaríamos antes ou com qualquer outra pessoa, ou então não fala nada, mas sem constrangimento;
  • não veja o enlutado como coitados condenados, não somos enlutados, estamos enlutados;
  • não diga: "eu nem consigo me por no seu lugar", não se ponha mesmo e não tente. Seria em vão pra nós e para você.


O luto tem um apelo de te remeter para humildade que às vezes nos escapa e que vem muito a calhar com coisa da perda.


O que se leva dessa vida é básica e totalmente nada, além de vivências e aprendizados. Nos ater mais ao que vale a pena levar e menos ao que inevitavelmente vai ficar pra trás... acho que é isso...

LUTO PELA ÓTICA DO ENLUTADO I

Eu sei que eu já escrevi sobre luto antes, e provavelmente a versão será muito diferente, no sentido de mais completa do que o texto anterior.

Eu queria recomeçar escrevendo sobre psicofármacos, que é o que eu estou estudando e é muitíssimo interessante, mas a bola da vez é o luto e para não perder o que ainda está fresco na minha cabeça, depois falaremos sobre remédios.

Comecemos pela definição: a Psicanálise trata como luto qualquer tipo de perda que traga como consequência o sofrimento do sujeito: fim de casamento, a morte do cãozinho de estimação, perda do emprego de tantos anos, óbito de um pai, mãe, filho, etc.

Sendo assim, deve "obedecer", de certa forma, algumas fases, que alguns pensadores dividem em 5, outros em 3 e ambos estão corretos, porque cada um, é um.

São elas:

- Negação: o nome já diz. É a dificuldade de acreditar, de ter a sensação o tempo todo de que foi um engano e tudo irá voltar a ser como antes;

- Raiva: que pode ser contra um eleito (culpado), Deus (bastante comum) ou o próprio objeto/sujeito de perda (por que você me abandonou, não tinha o direito de me fazer sofrer tanto assim... essa transição de sentimentos, não é lógica e elaborada, está mais para uma pulsão do inconsciente, que também está buscando a sua sobrevivência psíquica);

- Saudade: é a que mais dura, maltrata e adoece o enlutado. Ele busca lembranças, fotos, objetos que o remetam ainda mais para o seu luto, na tentativa de apaziguar seu sofrimento, no entanto, só o fomenta. Muitas pessoas ficam anos e anos presas nessa fase.

- Negociação: essa, nem de perto é vivida de forma consciente pelo indivíduo. Aqui o inconsciente está buscando reparação e compensação para o Ego. Porque ele tinha e não tem mais, porque ele era e não é mais...

- Aceitação/ Elaboração: ufah! Libertação, pelo menos da pior parte que o luto nos impõe. É buscar através dos próprios recursos que escolher pra isso, que a única saída é reinventar sua vida sem o que foi perdido; é pensar que o estado de paz e felicidade é possível através de uma reconfiguração.

Estas fases não se comportam cronologicamente bonitinhas como vocês vêm acima. Elas oscilam, quando você pensa que já superou uma delas, algum sintoma volta com tudo e assim vai se indo.

Exitem muitas armadilhas no luto: a depressão é uma delas. E sabe por que? Porque há legitimidade. Porque todos reconhecem que o luto pode representar a dor suprema, então, digamos que é autorizado ao enlutado deprimir e muitos caem nessa arapuca quase inevitável.

Eu achava que o enlutado tinha direito a um antidepressivozinho, mas fui convencida que isso está errado. Ele pode até utilizar um indutor do sono, mas ele precisa enfrentar seu luto de cara limpa, só assim ele se curará, senão ficará tratando sintomas e congelando seu luto por tempo indeterminado.

O que vocês interpretariam da frase do Freud abaixo:

"Segundo Freud (1920) que no luto, entendido como uma constelação de reações psíquicas, conscientes e inconscientes, há uma perda da libido antes investida no objeto amado, porém a perturbação da autoestima esta ausente (Freud,1920. p,250), já na melancolia não há necessariamente uma morte e sim uma perda inconsciente do objeto de amor, levando o ego a um estado de pobreza da libido... Dessa forma uma perda objetal se transformou na perda do ego... (Freud, 1920.p, 255)."
Fonte:http://psicologado.com/abordagens/psicanalise/luto-e-melancolia-nas-teorias-de-freud-e-melanie-klein 

Não. Não tem nada a ver com sexo! Perda da libido, ele quer dizer investimento de amor e querer bem, que o Ego fica a não ter a quem destinar. O Ego fica mais empobrecido e consequentemente a autoestima também. Tudo inconsciente...

Se autorize a sofre sua perda, com todas as lágrimas que lhe são de direito, não se culpe de uma gargalhada porque isso não pertence ao enlutado, reinvente uma vida saudável, incluindo até possibilidades que antes não haviam.

No começo, estabeleça metas, e siga cumprindo mesmo que metodicamente e sem vontade: levante da cama na hora combinada, banho não é negociável, faça uma lista de afazeres e cumpra.

Muito importante: esqueça o "porquê", primeiro porque ele não existe e se existisse não traria ninguém de volta.

Se for necessário, crie seu ritual que lembre ou homenageie quem partiu, mas não crie a paranóia de que ele te acompanha 24 horas por dia, porque inclusive os mortos devem ter mais o que fazer... E esse ritual só pode ser considerado como objeto de transição, não pode durar pra sempre. Ok?


DIVISOR DE ÁGUAS

Olha só: este blog foi criado há muitos anos atrás e certamente muita coisa mudou de lá pra cá, como por exemplo meu jeito de escrever, meus pensamentos, meus conhecimentos, até por causa da prática clínica, que ensina tanto quanto o cenário acadêmico, que aliás eu não tenho deixado de frequentar de um jeito ou de outro. Mais principalmente, porque eu, pessoa, por trás da figura analítica mudou. Certo até aqui?

Dito isso a segunda coisa muito importante a ser esclarecida é que eu escrevo para leigos, analisandos ou profissionais, que estejam dispostos a propor um debate e a me ajudar a produzir uma ideia nova, um pesamento inusitado. Questionamentos que buscam respostas, isso eu adoro. 

A Psicanálise precisa perder a cara elitizada que tem, e o português rebuscado demais que nem mesmo os intelectuais da área estão certos do que estão dizendo porque alguns já se perderam em suas próprias falas. E não sou eu quem está dizendo isso não, só estou engrossando o coro do Dr. Py, Dr. Aricó, entre outros mestres da Psicanálise contemporânea.

A minha ideia sempre foi essa: disponibilizar, possibilitar conhecimento descomplicado na medida do que é possível. Trocar experiência, oferecer a minha e também ganhar com a sua. 

Eu não pretendo reler artigos antigos, consertar o que eu acho que poderia ter ficado melhor, nada disso, vai tomar um tempo que hoje eu não disponho. Então, se colocar no campo de busca algum tema que lhe interesse, prefira o mais recente, depois até veja o mais antigo se preferir.

Se você tem alguma ideia diferente dessa, não perca seu tempo nesse Blog. Crie seu próprio Blog e se disponha a espernear por lá. Ok?

Acho que essa minha versão mais madura, menos acovardada e mais provocativa vai render bons frutos. Perdi muito tempo, deixando de escrever o que eu pensava, preocupada com a contabilidade da repercussão positiva ou negativa. 

O Freud dizia que a sua atitude diz muito pouco sobre você, mas em compensação suas motivações revelam tudo. E eu confio nas minhas motivações, que são de boa fé!

Tudo de bom pra nós!


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

POR QUE VOLTEI A ESCREVER?


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- Porque a minha inspiração voltou, junto com mais humildade e a compreensão, que o preço da exposição muitas vezes é ter que neutralizar o Ego e ter maturidade de acolher e ajudar. Só há ofensa, quando há a intensão de ofender e isso nunca ouve;

- Porque sempre há o que compartilhar, dividir e propor em discussão;

- Porque este Blog vai incorporar outro, muito mais importante do que este, que teve uma utilidade ímpar, muito maior do que poderíamos prever, mas cumpriu sua função e está chegando ao fim;

- Porque aqui a Analista consegue ocupar um espaço único e contido, que oferece opinião técnica, blindando a pessoa da Lindalva, que aqui não tem espaço e não deve interessar.

Eu continuo acreditando que o Psicanalista deve ter a sua identidade, que essa coisa de figura transicional funciona até determinado limite, mas é possível estabelecer o limiar dessa exposição. E é preciso fazer esse resgate.

Este texto só fará sentido para os "imigrantes" do outro Blog.

Quem estiver chegando agora, peço desculpas e bem vindo!