BEM VINDO!

Este é um espaço criado para que possamos trocar informações sobre:

- Psicanálise;
- Comportamento Humano;
- Patologias Psicoemocionais;
- Sentimentos: que constroem e que destroem;
- Relacionamentos;
enfim, toda abordagem que puder levar informação sobre melhor qualidade de vida
emcional.

Os textos não têm a pretenção de orientar, mas sim de poder oferecer uma alternativa de interpretação.
Sinta-se a vontade para opinar, contestar e discutir. Aqui, o que você pensa, será bem vindo!

Abraço,

Lindalva Moraes Pereira
Psicanalista –
SJCampos

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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

BANDIDOS explodiram caixas eletrônicos de um Hospital


Estou tentando desenvolver a habilidade de falar de coisas tristes e trágicas, sem falar de tristeza e tragédia... lhe pareceu impossível? A mim também.

Ontem meu marido chegou contando uma notícia que ele recebeu via facebook. Como eu ignoro essa ferramenta e insisto em não usá-la, fico  "mabe out", das notícias. O fato era que haviam invadido e explodido caixas eletrônicos de um Hospital (mais assistencial, que privado) que conhecemos bem e o temos pessoalmente como um "templo sagrado". Fiquei pensando: "nossa, como assim!? Um hospital, com pessoas convalescendo, com equipes trabalhando e lutando para salvar vidas, com famílias aflitas acompanhando notícias de seus entes e amigos, que susto horrível ..." 

Passada a minha indignação e revolta, tendo a notícia de que ninguém se feriu, os amigos que deixamos lá passam bem, fui tentando elaborar pra tentar entender  as atitudes tão adversas que movem o ser humano.

Hoje quando eu estava estudando, Neuropsicologia, que de tão complexo só consigo me concentrar de verdade escutando música, de preferência em idiomas que eu não compreendo, porque me livra de influências externas e me desobriga a compreensão, sobrando bastante neurônios para os estudos; enfim, entrou por equívoco no mix da seleção de músicas: "USA For Africa", de tão antiga me deu vontade de ouvir prestando atenção e assistindo ao vídeo. 

Era bem isso que eu precisava, porque o registro que eu tinha dessa música era de um aglomerado de Egos brigando por um microfone, buscando sua melhor performance para ser marcante no movimento. E eu não vi nada disso, pelo contrário.

Eu vi verdadeiras estrelas, algumas já póstumas, atuando como coadjuvantes para um bem maior, no melhor do potencial da sua habilidade abrindo espaço para o outro cantar, porque o importante era que o todo, a canção, ficasse perfeita, em nome de todas as crianças que viviam na precariedade humana.

E aí eu comecei a lembrar do meu amigo médico, cardiologista, que não recebe há um tempão, porque o governo... (deixa pra lá essa parte), continua atendendo seus pacientes, independente do seu salário atrasado; lembrei de rifas feitas entre funcionários para melhorar as condições de atendimento dos seus pequenos pacientes; lembrei de um velho vicentino de mais de 80 anos que durante toda sua vida não mediu esforços para ajudar alguém, sem importar a quem; de uma psicóloga que virou a melhor amiga de uma estranha só porque ela precisava e se colocou disponível de um jeito poucas vezes visto; e de mais um monte de exemplos de solidariedade, de amor ao próximo, de vontade de fazer a diferença pelo bem e jamais pelo mal. Fui lembrando que a gente tem que rezar (pois é, eu sou uma analista que acredita no poder da oração, sim! E quer saber? Tenho dúvidas, se o Freud era ateu mesmo ou só O ignorava por convicção "intelectual"). Acho que acabei que cavar minha cova, mas não dá nada não...

Reza, oração, bons pensamentos, boa vontade, amor ao próximo não tem nada a ver com religião. Eu mesma nem sei qual é a minha... ou se eu tenho uma de verdade, mas eu não tenho dúvidas de que o "Amigão" está em algum lugar, regendo, intercedendo e guiando as pessoas de boa fé e bom coração. Você pode chamar de Deus, Divindade, Energia Universal, Pai, não importa. Eu, como sou "chegada", chamo de "Amigão", "Patrão", "Chefe" (rsrsrsrs) ... e eu acho ou me iludo, sei lá, de que sou ouvida, sempre. Acho que isso é a tal fé, acreditar sem pedir o CPF de Deus.

Pensar que tem alguns: nós cegos, sem noção, sem família, sem discernimento, sem sustentação familiar, sem valentia para o trabalho e o ganha pão honesto, sem honra e ombridade para dignar-se a se intitular "Homem", covardes sociais e emocionais, que se marginalizam por opção e conseguem legitimar suas consciências através de algum subterfúgio incompreensível até pra si mesmo, estes sempre existirão e seguem existindo desde que mundo é mundo. Não dá pra se escandalizar e demover a fé no ser humano, baseado nessa escória, que é o subproduto do que deu errado no princípio de civilidade.

Vamos seguir, acreditando que as exceções não devem se sobrepor aos exemplos de boa vontade e desejo de dias melhores que haverão de vir.

Aos nossos amigos desse Hospital, a nossa solidariedade e nossa solicitude. Aos marginais que fizeram essa atrocidade: o nosso pedido de complacência e perdão junto ao "Amigão", E se possível, quem sabe, prisão, porque afinal a lei dos homens existe não é?

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

SAUDADE


Eu queria muito conseguir escrever sobre a saudade, mas me mantendo dentro do ponto de vista analítico e não filosófico. Vou tentar, sem garantias de conseguir.

Eu notei que o sentimento da falta que promove a saudade, pode vir acompanhado de um punhado de outros sentimentos: como a culpa de ter contribuído para a saudade, e aí ela parece doer mais; como o sentimento de injustiça e nesse caso a saudade ganha a companhia do vitimismo; o abandono que traz a saudade misturada com a raiva; e assim vai...; alguns eu vi com maior frequência, outros mais camuflados.

A saudade pode ser medida em tempo, e quando é mensurada assim, vai ter dia que vai parecer maior, terá dia que nem tanto; medida por momentos vividos, e aí vem a nostalgia do que não volta; e também pode ser alimentada por projeções do reencontro, de possibilidades, de transformar a saudade em puro bem querer de novo.

Em todos os casos que eu vi e vivi, a forma como se relacionar com ela, a saudade, é sempre uma opção, que pode ser grata ou ingrata, e é você quem vai escolher; que mesmo sendo infindável pode ocupar um lugarzinho de aconchego dentro das emoções ou se transformar num punhal serrado e fixado que volta e meia vai girar e fazer sangrar...

Put´s! Pra quem queria fugir da abordagem Filosófica (que não é minha competência), acho que caí na abordagem piegas, brega e nada analítica... acho que fui muito ambiciosa...

Mais é que eu não quero mais falar só de doença, psicopatologia, blah, blah, blah...

Eu trato sentimentos, eu lido com emoções o tempo todo, por que não posso falar sobre elas de vez em quando? Acho que foi isso...

TOC Transtorno Obsessivo Compulsivo

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Uma pessoa muito especial, expressou algumas dúvidas sobre TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e eu resolvi escrever um pouco sobre isso. Acho que não há nada que eu já tenha escrito ou se há deve fazer tempo, já tem muita literatura sobre o assunto, mas às vezes o jeito que alguém escreve ou o momento que você lê, muda ou contribui para um entendimento diferente. Então vale a pena tentar...

Vamos começar pela definição:
- Transtorno: algo que não pode ser mais tratado como característica de comportamento, porque está trazendo certo prejuízo ou sofrimento;
- Obsessivo: não opcional, pensamento invasores, comportamentos involuntários não controláveis;
- Compulsivo: que se repete ou precisa se repetir, novamente inerente á vontade do sujeito.

Pois bem, juntando isso tudo significa que a pessoa que desenvolveu o TOC, possui uma mania ou um conjunto delas, que se sobrepõe a sua vontade e ela não tem mais controle sobre isso. O que leva à consequências e sofrimento. Toda psicopatologia é medida entre leve, moderada e grave, eu estou definindo a que está entre moderada e grave.

A mania vem da ordem da neurose, ou seja, todos nós temos, todos possuem "determinadas manias", porque isso define inclusive características da personalidade do sujeito. No entanto, estas manias não podem se sobrepor a sua própria vontade, ou seja, ela não pode por a pessoa num cativeiro de obediência quase ritualística. 

Normalmente o TOC nasce como um mecanismo de defesa, e isso dificulta que o inconsciente se dê conta quando está virando patológico.

Agora vamos falar um pouco de estatística para termos uma ideia populacional do TOC, porque quem sofre deste transtorno tende a acreditar que faz parte de um universo muito particular, por isso costuma se envergonhar e não compartilhar muito seus sintomas, justamente por se sentir muito ímpar em sua condição. Os números são:

- população mundial: de 1% à 2% no decorrer da vida já desenvolveu ou convive com o TOC;
- especificamente nos EUA: 1 para cada 50 habitantes, sofre de TOC (entre moderado ou grave).

Existe um escalonamento dos TOC´s mais comuns:

1º Limpeza, doença por contaminação e também organização metódica;
2º Dúvida, necessidade de verificação em sequência ou recontagem;
3º Pensamentos libidinosos, obscenos sem controle (e a ansiedade é aumentada pela auto-condenação). Este tem mais a ver com a Síndrome de Tourette, que lá frente eu explico melhor);
4º Meticulosidade com tudo, simetria, ordenação, etc;
5º Colecionismo (hábito de acumular coisas, normalmente que não obedecem a nenhum gênero, tido como: acumuladores).

Alguns famosos: 
- Charles Darwin: colecionismo;
- Michael Jackson: limpeza/ contaminação;
- David Beckham: limpeza e perfeccionismo;
- Jô Soares : os quadros precisam estar levemente fora do ângulo para a direita.

Se sentiram um pouco melhores? Pois é. Tem cura, tem tratamento e até medicação específica para tratar os sintomas. No entanto, o ideal de cura é mesmo com terapia descobrir porque tal mecanismo de defesa se formou?

É comum os sintomas aparecem ainda na infância e irem evoluindo de forma quase inofensiva, ou estar associado a algum evento estressante importante e acaba crescendo de forma abrupta.

Existem cientistas que defendem que assim como na Síndrome de Tourette, o TOC também contém fatores biológicos para acontecer, como alguma deficiência cromossômica, ou epilepsia no lobo temporal, enfim, ainda não se evoluiu muito nestas conjecturas.

O TOC em seu estado grave pode trazer consequências (manifestações) físicas:
- Dermatite: doenças na pele, manchas, coceiras ou vermelhidão;
- Alopecia: queda de cabelo ou doenças relacionadas;
- Onicopatia: doenças nas unhas;
- Gengivite.

Estas são as mais comuns.

Síndrome de La Tourette, que nada tem a ver com TOC, e por isso mesmo é preciso saber o que é, para não permitir que confundam o diagnóstico. São tiques múltiplos, motores ou vocais (classificado como Distúrbio Neuropsiquiátrico). 
- 80%: piscar os olhos incessantemente, tossir sem causa física, limpar a garganta;
- 20%: coprolalia = pronunciar palavras desconexas involuntariamente no meio de um diálogo que não condiz; copro praxia = palavrões, insultos e também repetição de sons e palavras. 

Infelizmente, na maioria dos casos a Síndrome de Tourette não tem cura, o tratamento é feito a base de antipsicótico e terapia de reversão de hábito. Como há um comprometimento neurológico, então fica mais difícil pensar em cura.

Percebem a grande diferença entre TOC e Tourette?

O TOC tem tratamento, tem cura, e na maioria das vezes a terapia resolve, mas já de cara vou dizendo, que num dado momento, o enfrentamento ao sintoma será necessário, ou seja, desafiar a necessidade que propaga seu TOC será imprescindível para a sua cura.

Ok? Espero ter ajudado só um pouquinho...


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

LUTO AGAIN (não por culpa minha)



Veja bem, não é minha responsabilidade ficar nessa pegada só do luto, luto, mas as pessoas me escrevem fazendo perguntas interessantes para debater, e aí não consigo sair do tema. 

Um "anônimo" me perguntou por e-mail: há algo que eu, como iniciativa própria, possa fazer para minimizar meu sofrimento de luto e perda?

Pensei muito nessa pergunta sob o ponto de vista analítico, e acho que há por onde começar. Já te ocorreu assumir a sua participação na dor da perda?

Não estou falando de culpa, nada disso. Não se trata de culpa, trata-se da responsabilidade implícita quando a gente escolhe amar alguém.

O que eu quero dizer é que não há como ficar só com a parte boa, nem mesmo do amor. Se escolhemos ter um filho, um marido, uma família, viver uma história de amor seja com quem ou com o quê for, está implícito nisso o risco da perda, da decepção, do abandono, de tudo de negativo tanto quanto de positivo.

A questão é: fazer diferente disso, seria como? Uma blindagem emocional, viver relações superficiais para evitar nos machucar ou a dor de uma possível perda?

Será que vale a pena? Não seria a minha opção viver pela metade, se acovardar em prol de um não pseudo sofrimento.

Então, pra resumir esse ponto de vista, que aliás reconheço ser muito pobre mediante uma pergunta tão complexa e importante, eu diria que tudo que eu amo, eu posso perder e eu preciso estar ciente disso desde quando fiz a opção de amar...

Se construir essa percepção adianta alguma coisa? Se diminui a dor da perda? Provavelmente não. Só pode, talvez, lhe trazer uma possibilidade de elaboração a ser trabalhada.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

LUTO PELA ÓTICA DE UM ENLUTADO II


Num outro blog eu escrevi vários textos sobre Luto e alguns eu resolvi transferír pra cá, então corre o risco de haver alguma redundância nas falas, me desculpem por isso.

Quando você abre os olhos pela manhã, e não vem vontade nenhuma de sair da cama porque fora dela não há nada que lhe entusiasme o suficiente naquele momento, e ficar ali te protege de uma realidade cruel que exige energia para ser enfrentada todos os dias, isso pode ser muita coisa, inclusive o princípio do luto. Que é um sofrimento tão legítimo que ninguém vai exigir muito de você, porque afinal a apatia faz parte dele.

O luto é aprender a viver sem, reinventar uma rotina que aquela pessoa amada não faz mais parte, é reconfigurar suas emoções, ritualizando seus rompantes de saudade para ficarem administráveis aos poucos.

Há uma parte do luto que é evitável e outra não. A parte evitável é quando fazemos a opção de parar de alimentá-lo, ou seja, se ainda não é hora de rever fotos, de se agarrar a pertences guardados, a buscar o cheirinho na última roupa usada, não faça. Haverá um dia, um momento que isso poderá ser feito e terá uma repercussão diferente. O Freud falava muito em significado e significância. Com o tempo o significado de hoje ganhará outra significância. Insistir agora, não ameniza a saudade ou o sofrimento, só fomenta.

A parte que é inevitável é quando um pensamento invasivo te pega de surpresa, uma lembrança, um evento que inevitavelmente te remete a sua perda irreversível. Quando uma cena, uma música ou cheiro simplesmente aparece e aí vem imediatamente o sentimento de perda: eu nunca mais terei isso… ou então, quando você evita as lembranças, e se ocupa o tempo todo ou o quanto for possível, num ritmo quase frenético, até que transborda e você é remetido involuntariamente ao sentimento brutal de saudade e perda. Aí não há o que fazer: é se entregar, esperar passar e buscar o equilíbrio novamente.

É preciso pôr a casa em ordem, coisas que só o enlutado pode fazer: gavetas acumuladas, tudo que te remete a sua perda, espalhado pelos cantos, bem como estão os sentimentos por dentro.

Tem uma outra coisa que eu descobri: o enlutado vira uma figura constrangedora pro outro. Então, vou tentar ajudar com isso:

  • se você encontrar com um enlutado, que não teve ainda a oportunidade de encontrar, não se sinta obrigado a dizer nada. Não diga: sinto pela sua perda; meus pêsames, esses dizeres prontos que são para serem ditos na semana da perda ou no máximo na semana seguinte. Um mês depois, não. Ok?;
  • se encontrar no elevador: não precisa ficar aquele silêncio de cortar com faca. Fala da falta de chuva, fala mal do governo, fala do preço do pão francês, enfim, qualquer coisa que conversaríamos antes ou com qualquer outra pessoa, ou então não fala nada, mas sem constrangimento;
  • não veja o enlutado como coitados condenados, não somos enlutados, estamos enlutados;
  • não diga: "eu nem consigo me por no seu lugar", não se ponha mesmo e não tente. Seria em vão pra nós e para você.


O luto tem um apelo de te remeter para humildade que às vezes nos escapa e que vem muito a calhar com coisa da perda.


O que se leva dessa vida é básica e totalmente nada, além de vivências e aprendizados. Nos ater mais ao que vale a pena levar e menos ao que inevitavelmente vai ficar pra trás... acho que é isso...

LUTO PELA ÓTICA DO ENLUTADO I

Eu sei que eu já escrevi sobre luto antes, e provavelmente a versão será muito diferente, no sentido de mais completa do que o texto anterior.

Eu queria recomeçar escrevendo sobre psicofármacos, que é o que eu estou estudando e é muitíssimo interessante, mas a bola da vez é o luto e para não perder o que ainda está fresco na minha cabeça, depois falaremos sobre remédios.

Comecemos pela definição: a Psicanálise trata como luto qualquer tipo de perda que traga como consequência o sofrimento do sujeito: fim de casamento, a morte do cãozinho de estimação, perda do emprego de tantos anos, óbito de um pai, mãe, filho, etc.

Sendo assim, deve "obedecer", de certa forma, algumas fases, que alguns pensadores dividem em 5, outros em 3 e ambos estão corretos, porque cada um, é um.

São elas:

- Negação: o nome já diz. É a dificuldade de acreditar, de ter a sensação o tempo todo de que foi um engano e tudo irá voltar a ser como antes;

- Raiva: que pode ser contra um eleito (culpado), Deus (bastante comum) ou o próprio objeto/sujeito de perda (por que você me abandonou, não tinha o direito de me fazer sofrer tanto assim... essa transição de sentimentos, não é lógica e elaborada, está mais para uma pulsão do inconsciente, que também está buscando a sua sobrevivência psíquica);

- Saudade: é a que mais dura, maltrata e adoece o enlutado. Ele busca lembranças, fotos, objetos que o remetam ainda mais para o seu luto, na tentativa de apaziguar seu sofrimento, no entanto, só o fomenta. Muitas pessoas ficam anos e anos presas nessa fase.

- Negociação: essa, nem de perto é vivida de forma consciente pelo indivíduo. Aqui o inconsciente está buscando reparação e compensação para o Ego. Porque ele tinha e não tem mais, porque ele era e não é mais...

- Aceitação/ Elaboração: ufah! Libertação, pelo menos da pior parte que o luto nos impõe. É buscar através dos próprios recursos que escolher pra isso, que a única saída é reinventar sua vida sem o que foi perdido; é pensar que o estado de paz e felicidade é possível através de uma reconfiguração.

Estas fases não se comportam cronologicamente bonitinhas como vocês vêm acima. Elas oscilam, quando você pensa que já superou uma delas, algum sintoma volta com tudo e assim vai se indo.

Exitem muitas armadilhas no luto: a depressão é uma delas. E sabe por que? Porque há legitimidade. Porque todos reconhecem que o luto pode representar a dor suprema, então, digamos que é autorizado ao enlutado deprimir e muitos caem nessa arapuca quase inevitável.

Eu achava que o enlutado tinha direito a um antidepressivozinho, mas fui convencida que isso está errado. Ele pode até utilizar um indutor do sono, mas ele precisa enfrentar seu luto de cara limpa, só assim ele se curará, senão ficará tratando sintomas e congelando seu luto por tempo indeterminado.

O que vocês interpretariam da frase do Freud abaixo:

"Segundo Freud (1920) que no luto, entendido como uma constelação de reações psíquicas, conscientes e inconscientes, há uma perda da libido antes investida no objeto amado, porém a perturbação da autoestima esta ausente (Freud,1920. p,250), já na melancolia não há necessariamente uma morte e sim uma perda inconsciente do objeto de amor, levando o ego a um estado de pobreza da libido... Dessa forma uma perda objetal se transformou na perda do ego... (Freud, 1920.p, 255)."
Fonte:http://psicologado.com/abordagens/psicanalise/luto-e-melancolia-nas-teorias-de-freud-e-melanie-klein 

Não. Não tem nada a ver com sexo! Perda da libido, ele quer dizer investimento de amor e querer bem, que o Ego fica a não ter a quem destinar. O Ego fica mais empobrecido e consequentemente a autoestima também. Tudo inconsciente...

Se autorize a sofre sua perda, com todas as lágrimas que lhe são de direito, não se culpe de uma gargalhada porque isso não pertence ao enlutado, reinvente uma vida saudável, incluindo até possibilidades que antes não haviam.

No começo, estabeleça metas, e siga cumprindo mesmo que metodicamente e sem vontade: levante da cama na hora combinada, banho não é negociável, faça uma lista de afazeres e cumpra.

Muito importante: esqueça o "porquê", primeiro porque ele não existe e se existisse não traria ninguém de volta.

Se for necessário, crie seu ritual que lembre ou homenageie quem partiu, mas não crie a paranóia de que ele te acompanha 24 horas por dia, porque inclusive os mortos devem ter mais o que fazer... E esse ritual só pode ser considerado como objeto de transição, não pode durar pra sempre. Ok?


DIVISOR DE ÁGUAS

Olha só: este blog foi criado há muitos anos atrás e certamente muita coisa mudou de lá pra cá, como por exemplo meu jeito de escrever, meus pensamentos, meus conhecimentos, até por causa da prática clínica, que ensina tanto quanto o cenário acadêmico, que aliás eu não tenho deixado de frequentar de um jeito ou de outro. Mais principalmente, porque eu, pessoa, por trás da figura analítica mudou. Certo até aqui?

Dito isso a segunda coisa muito importante a ser esclarecida é que eu escrevo para leigos, analisandos ou profissionais, que estejam dispostos a propor um debate e a me ajudar a produzir uma ideia nova, um pesamento inusitado. Questionamentos que buscam respostas, isso eu adoro. 

A Psicanálise precisa perder a cara elitizada que tem, e o português rebuscado demais que nem mesmo os intelectuais da área estão certos do que estão dizendo porque alguns já se perderam em suas próprias falas. E não sou eu quem está dizendo isso não, só estou engrossando o coro do Dr. Py, Dr. Aricó, entre outros mestres da Psicanálise contemporânea.

A minha ideia sempre foi essa: disponibilizar, possibilitar conhecimento descomplicado na medida do que é possível. Trocar experiência, oferecer a minha e também ganhar com a sua. 

Eu não pretendo reler artigos antigos, consertar o que eu acho que poderia ter ficado melhor, nada disso, vai tomar um tempo que hoje eu não disponho. Então, se colocar no campo de busca algum tema que lhe interesse, prefira o mais recente, depois até veja o mais antigo se preferir.

Se você tem alguma ideia diferente dessa, não perca seu tempo nesse Blog. Crie seu próprio Blog e se disponha a espernear por lá. Ok?

Acho que essa minha versão mais madura, menos acovardada e mais provocativa vai render bons frutos. Perdi muito tempo, deixando de escrever o que eu pensava, preocupada com a contabilidade da repercussão positiva ou negativa. 

O Freud dizia que a sua atitude diz muito pouco sobre você, mas em compensação suas motivações revelam tudo. E eu confio nas minhas motivações, que são de boa fé!

Tudo de bom pra nós!


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

POR QUE VOLTEI A ESCREVER?


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- Porque a minha inspiração voltou, junto com mais humildade e a compreensão, que o preço da exposição muitas vezes é ter que neutralizar o Ego e ter maturidade de acolher e ajudar. Só há ofensa, quando há a intensão de ofender e isso nunca ouve;

- Porque sempre há o que compartilhar, dividir e propor em discussão;

- Porque este Blog vai incorporar outro, muito mais importante do que este, que teve uma utilidade ímpar, muito maior do que poderíamos prever, mas cumpriu sua função e está chegando ao fim;

- Porque aqui a Analista consegue ocupar um espaço único e contido, que oferece opinião técnica, blindando a pessoa da Lindalva, que aqui não tem espaço e não deve interessar.

Eu continuo acreditando que o Psicanalista deve ter a sua identidade, que essa coisa de figura transicional funciona até determinado limite, mas é possível estabelecer o limiar dessa exposição. E é preciso fazer esse resgate.

Este texto só fará sentido para os "imigrantes" do outro Blog.

Quem estiver chegando agora, peço desculpas e bem vindo!

  

POR QUE DEIXEI DE ESCREVER?

Este Blog foi criado há uns 7 anos aproximadamente, e o objetivo era provocar discussões sobre temas de comportamento humano e Psicanálise.

A segunda razão era para que as pessoas conhecessem um pouco do que eu penso, de quem eles podem esperar encontrar no consultório.

E no começo foi muito entusiasmante porque as pessoas participavam, e eu ia cada vez mais sentindo que a forma como eu escrevia, que aliás mudou muito nestes 7 anos, ajudava as pessoas a desmistificar a Psicanálise e simplificava mais, o que parecia complexo.

Havia muita troca, muita ajuda e bastante crítica também, porque ninguém é obrigado a pensar como ninguém. E eu sou a primeira a levantar essa bandeira porque quando eu penso diferente sinto uma vontade quase incontrolável de me manifestar, na esperança de ser convencida sobre outro ponto de vista ou de convencer o outro.

Mais aí nessa hora de contrariar, muitas vezes tinha desrespeito, agressão porque viam o Blog, ou o que eu escrevia um atentado contra seus sentimentos, ou seus valores e se sentiam provocados. Aí nem sempre a participação é polida ou construtiva, muitas vezes é ofensiva. No começo era fácil de lidar com isso, mas com o tempo foi ficando desgastante e meio inglório... aí tira um pouco a vontade de continuar, e de promover a troca.

Vou dar um exemplo: tem um programa no GNT, o Saia Justa, que eu adorava quando tinha uma determinada composição de apresentadoras, aí de uma temporada pra outra mudou essa composição. E colocaram uma apresentadora que eu não tenho afinidade nenhuma, ela destrata os convidados, é alienada, sem graça e destoa totalmente das demais. Não tive dúvida e escrevi pro GNT dando minha opinião, mas fiz isso com respeito e argumentos. E eles me responderam que ela fazia parte de uma nova proposta do Programa, que era justamente ser mais provocativo e irreverente, mas que eles compreendiam totalmente o meu estranhamento. Pronto, feito, objetivo atendido: tive resposta e fiz minha opção.

Então, é assim que deveria rolar, sempre.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

SOMOS TÃO JOVENS (FILME)



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Reconheço que está meio fora de hora falar sobre o filme do Legião Urbana, mas na época que eu assisti eu escrevi, mas acabei não publicando. Eu adorei o filme, mas saí meio frustrada do cinema porque achei que mostrou muito pouco sobre a história da banda, depois é que eu vi que a proposta era contar sobre a formação da banda, o início da carreira e como tudo começou. Então o filme cumpriu o propósito.


Foi ótimo! Fiquei emocionada várias vezes porque aquelas músicas fizeram parte da trilha sonora da minha adolescência e juventude. Saí nostálgica do cinema, mas aí por outra razão: fiquei pensando que aquilo tudo fazia parte do meu patrimônio musical, cultural e emocional, e que meu filho, hoje, não tinha nada que o valesse. Nada além de um “MC qualquer coisa”, que compõe letras que se resumem em um besteirol erótico, que se limita a rimar “léu com créu” ou algo parecido, numa única estrofe que vai se repetir dez vezes até o fim, sem melodia, sem notas elaboradas, sem nada. Ou então, um pagode igualmente pobre cantado por uma molecada que se apresenta cheia de correntes e ornamentos, que evidenciam que o objetivo principal é venderem cds e ficarem ricos. Quem nos dera que esse pagode/samba desse continuidade a linhagem de um Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Alcione, etc. Aí sim estaríamos no lucro.


Enfim, o filme é bom, mostra um Renato Russo cheio de ideais, inteligentíssimo, preocupado com o alcance e a repercussão das suas composições sobre os jovens, com seu lado prepotente, estrelinha e arrogante, como de fato era, mas também humanamente sensível e frágil. As ideias para as composições saiam do que ele vivia, ouvia e captava de tudo e de todos. 


É com pesar que percebo que estamos empobrecendo culturalmente, sem nos darmos conta. Estamos em processo de falência, sobretudo quanto a boa música, e parte disso é nossa própria culpa, agora me dirigindo aos adultos, respectivos pais e mães que não convidam seus filhos a ouvir música de qualidade dentro de casa, que não substituem a TV ligada à toa na sala, só fazendo barulho, por boa música, que não contam histórias conhecidas acerca das letras produzidas nos tempos áureos da MPB, estimulando a curiosidade das crianças, que não se dispõem a apresentar seus filhos ao Jazz, a música clássica, ao chorinho, ao rock de qualidade, seja nacional ou internacional.


Estamos autorizando nossos filhos a essa alienação cultural geral. E infelizmente nosso patrimônio musical vai morrer conosco um dia.


Voltando ao filme, recomendo preferencialmente, aos adultos depois dos 30 e impreterivelmente aos jovens antes dos 20.


Bom filme!